Foi só Kylie Jenner (a caçula das famosas irmãs Kardashians) ostar no Facebook um vídeo publicitário no qual estreia como o novo rosto da Puma, para os internautas fazerem o que mais amam: odiar. 

    Vestida com top, legging e tênis, Kylie aparece treinando com uma medicine ball. Os comentários foram instantâneos e criticavam a marca pela escolha da modelo. "Ela não tem tônus muscular nem pode ser considerada uma pessoa fitness" disseram. Mas, Kylie malha e tem um corpo lindo com curvas próprias, como sugere o DNA a família. Se ainda assim a imagem dela não é considerada boa o suficiente, eis um problema. Não seria grave se fosse, só os seguidores da modelo que pensassem dessa forma. Por que diabos não podemos vestir nosso tênis e partir para malhar sem medo de ser felizes? Muitas de nós acreditam que só as donas de pernas torneadas e barriga chapada devam ser consideradas fitness. Um pensamento que, fatalmente, se volta contra nós e atrapalha a busca pelo que realmente importa: um corpo mais saudável. 

    Ninguém deveria julgar o corpo alheio, sentir vergonha de descer da esteira antes de todo mundo na academia ou se sentir mal com sua autoimagem. Se você fez 30 minutos de caminhada não é menos merecedora do que a sarada pingando suor com um sorriso no rosto. Cada um com suas conquistas, no seu tempo, certo? Mas, infelizmente, é nessa hora que desistimos do treino ou, para nos sentir melhor, desdenhamos do outro ("aquela malhada ali só faz isso da vida, não trabalha nem tem família para cuidar"). Quando o emocional fala mais alto, fica difícil lembrar o óbvio: é para emagrecer, ganhar massa magra ou cuidar da saúde que se vai para o parque ou academia.

    Seja feliz com seu corpo.

Texto de Marina Oliveira para a Revista Boa Forma de maio de 2016.